quarta-feira, 23 de maio de 2012

Há quem diga que é só esquecimento. Desleixo no eixo. Fuga de quem aluga.
Sorte de quem não morre, dentro, centro, e fora. 

Mora. Toca. Esquece.
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E uma hora volta.

sábado, 12 de maio de 2012

Astros


Uma melodia para esquecer,
Esquecendo que me recordo,
De como me fiz sofrer
Com estranhas palavras a bordo.

O céu treme com o canto
Que os pássaros o presenteiam
Soluços embaixo do manto
E meus olhos não se chateiam.

Ruas embaixo de pedras
Coloridas como flores
Voando por todas as eras
Com todas as dores.

A lua cobre a melodia
Que tanto quis aparecer,
De tanto que insistia
Fez então o medo sofrer.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Arrepender-se

Eu tinha me arrependido por um beijo, mas depois que você entregou todos os sentimentos, jurei me calar por isso. Eu me apaixonei, e de forma rápida para alguém que não esperava, me arrependi de ter me arrependido. Consideravelmente um segundo de uma eternidade passou e eu vivi inesperadamente o restante dela. Queríamos mais de nós mesmos que a própria física permitia. Corpo e alma em um submundo de aspecto doloso e ao mesmo tempo calmo. Eram astros e cores, dores de um adeus penetrável e infinito que subjuguei enorme que não agüentaríamos juntos. Mencionava santos e estrelas a cada por do sol. Agora me curei. Você sentou ao meu lado e me abraçou como a ultima coisa a fazer numa primeira tarefa de um dia. Abraçou-me como se não tivesse o fim, e como se estivéssemos no nada de um tudo. Expectantes amadores que se beijam a cada pulsar dos corações. Dois jovens que encontraram a direção certa para uma vida sem desvios. Duas vidas que se tornaram uma para o infinito. Uma historia sem pausas e fábulas, nem qualquer indício de preocupações e intolerâncias. Uma aliança conquistada que sempre será circular para nunca ter um fim.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Vazio








Ultimamente ando vazia, sem sentimento nem coragem. Sorrio obrigatoriamente a mim mesma, disfarçando um pequeno vazio que insiste em não desaparecer. Uma conversa sem nexo, esperando alguma correspondência ou anexo, qualquer boato que seja, desvio. Minha sina já disse que eu deveria aniquilar qualquer conversa superficial, mas, ligo a teve e me prendo a programas fúteis que por hora fazem o tempo angustiante passar mais depressa, fazendo com que, eu perca meus dons por algo sintético, agudo, que dói a retina, desloca minha atencão, me faz hospedeira de circo. Eu era vazia. Vazio antes fosse. Agora vivo atordoada por analgésicos programadores a me encher de nada. O vazio é melhor, o vazio me deixa leve, eu poderia ter voado para longe, conhecer culturas e cidades. Mas agora sou cheia. Cheia de nada. Estar cheio do nada é horrível, perco tempo futilizando arma pro negócio da minha incapacibilidade humanística. Cheia do nada fico inflada e peso igual uma pedra que não voa. Não busco nada, o nada que me absorve. Fiquei alienada e presa em um túnel imaginário sem saída, eu entrei e você também, até que todos não tenham entrado parte do mundo ainda tem cor.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Singelos olhos.





Tão singelos aqueles olho, que castanhos, ficavam quase verdes junto à luz do sol. A pureza me encantou, um sorriso e eu me apaixonei. Alegre andei por entre todos outros verbos de ação. Me encantei. Não pude deixar escapar por entre anos a mais bonita oração que prometia a mim mesma um pedaço do tempo infinito para ter aqueles olhos ao meu lado. A distância surgiu mais clara e brava, mas só me atingiu ao que tange aos olhos – não pude mais vê-los com tanta freqüência. Simétricos, brilhantes. Assim pude lembrá-los toda vez que pusera meus olhos a fechar. Ah, viveria para sempre sob cuidado daqueles olhos, que de tanto me ninar fecharam-se junto aos meus. Fecharam-se na mesma hora em que nossos corpos se entrelaçaram segmentando a parte obscura de um sono pálido e cheio de cores de todos os sentimentos de amores.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Revolta de si.




Fiquei presa por tanto tempo em uma cela invisível que só a emoção sabia sentir. Toda noite eu esperava o momento certo de apagar as luzes e fechar as cortinas, porque eu sabia que tinha que fugir daquela rotina. Mas com o tempo, apagar as luzes e fechar as cortinas virou rotina. Tive que mudar, trocar os lençóis e mudar a decoração. O tom da parede passou de branco para verde, e fui aprimorando as técnicas para dormir mais rápido. Deitava na cama e pensava em tudo o que era lúcido e cheiroso, passavam alguns segundo e eu era obrigada a ignorar as coceiras que instantemente meu cérebro produzia, tive que ficar parada também, ao invés de mexer meu corpo que tanto tinha vontade de trocar de lugar. Meus olhos se mexiam de um lado para o outro, mesmo que fechados, mas tive que pará-los. Inconscientemente ignorava tudo para poder dormir, mas nada disso tinha mais efeito, caí na rotina. Tentei mudar e ouvir som toda noite antes de ir para a cama. Ouvia orquestras sinfônicas com horas de duração, durante isso, meditava sentada pensando no nada. Não é que não houvesse nada, mas sempre que tentava fazê-lo, aparecia uma imagem branca com um sorriso ao meio. Nunca entendi. Talvez uma luz. Não sei, posso ter me confundido. Caí na cama e relaxei meus músculos. Dormi. Até que o sono tivesse se tornado rotineiro.

domingo, 11 de março de 2012

Destinatário: Um alguém.





Olá. Estar aqui em um pequeno teclado talvez seja o mesmo que estar em uma pequena cidade. Não posso usar todos os dedos para digitar assim como na cidade, que não posso usar todas as artimanhas de se viver – as pessoas sempre confundem com realeza e falsa espontaneidade. Às vezes me complico a ter que usar somente alguns dedos para confeccionar uma palavra e do nada vira uma pagina inteira sem nexo algum. Ha quem diga que cidades pequenas são boas de viver, pois nos remete ao estado de vai e vem no mesmo lugar, digo, tudo é perto. Se você ainda esta andando reto, talvez esteja voltando. Não que haja alguma comparação com um teclado pequeno, mas sempre tenho que ficar clicando na tecla back space porque sempre erro a palavra e tenho que apagar (mencionando em voltar) e escrever tudo de novo.
Com o tempo vou me apegando ao novo jeito de escrever, com as letras confundíveis e pequenas e assim começo a digitar algo novo, algo que se possa levar pro mundo lá fora.
Enquanto que quando surge algo real (não um teclado pequeno), mas algo que seja difícil de fazer, sempre caímos na mesma ladainha, jogamos tudo pro lado e tentamos procurar um jeito mais fácil. Não que eu tenha feito diferente, assumo que troquei o teclado por um maior, pra não ter que perder tempo com o apagar e redigitar. Aposto que conseguir satisfazer essa sensação de vitória em algo mais difícil é sempre mais conquistador, porque você vence seus próprios limites, impondo outro mais além, algo que outra pessoa não consiga fazer a não ser que tenha lido este mesmo texto e decidido fazer sempre o mais difícil e conseguir sempre o melhor prazer.